quarta-feira, 25 de maio de 2011

Roda risada riscada
rouca ríspida rachada
raro ruído rebelde
rítmo retrato roubado
rua remanso revolta
raio riacho roça.

Serena saudade suntuosa...
Minha perfeição
tombou no caminhão
arranhou o latão
fugiu na ilusão
escondeu no porão
murmurou palavrão
apareceu no portão
com uma nova invenção
caiu em contradição
sem perder a razão

no entanto...

se esqueceu da emoção
gritou de exaltação
perdeu a noção
recuperou a intuição
lembrou do coração
não esqueceu a canção
recebeu a benção
diante da tentação.
Parafernalha, pantufa
patifaria
pedra, paulada
pneumonia
procissão, promíscua
passarinha
paralelepípedo, passarela
perfumaria
pincel, porrada
perfeitinha.
Poesias de mentira
num relato de alegria
vermelho no espelho
melindrosa menina
vacina e aspirina
mel e vagina
robô alisado
com passo apressado
cumprimento de plástico
num circo montado!
Presa nos teus nós
envolta no teu instinto
choro em versos só

(íntimo)

faço o trabalho
na contramão
reviro o avesso

(evasão)

contra e prós
meu ventre
seus nós.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Repetidas vozes III

Vozes repetidas
vapor que respinga
volúpias que remoem
vazio que reza
vagos ruídos
veias rasgando
vistosas raparigas
virís rapazes
velhas resmungando
valente rodopio
vidas rompendo
vitórias se rendem
veloz retorno
vela no raio
vala no rio
virtude rara
vinil riscado
véu reciclado
voo reiniciado.

Repetidas vozes II

Repetidas vozes
respingam o vapor
remoendo as volúpias
rezam ao vazio
ruídos vagos
rasgando as veias
raparigas vistosas
rapazes virís
resmungo de velhas
rodopio valente
rompedo as vidas
rendendo vitórias
retorno veloz
raio na vela
rio na vala
rara virtude
risco no vinil
reciclo teu véu
reiniciando o voo.

Repetidas vozes

Repetidas vozes repetidas
respingam o vapor que respinga
remoendo as volúpias que remoem
rezam ao vazio que reza
ruídos vagos ruídos
rasgando as veias rasgando
raparigas vistosas raparigas
rapazes virís rapazes
resmungo de velhas resmungando
rodopio valente rodopio
rompendo as vidas rompendo
rendendo vitórias se rendem
retorno veloz retorno
raio na vela no raio
rio na vala no rio
rara virtude rara
risco no vinil riscado
reciclo teu véu rciclado
reiniciando o voo reiniciado.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A presença
tempestade
brisa
tensão.
Lento estágio
de aceitação.
Os espelhos
estão por
todos os lados.
Não há culpados
nem responsáveis
porém,
o livre arbítrio é perene
por que rejeição?
medo ou insatisfação?
Se eu Sei
Tua Sabes!
Ao menos
deveria ser assim
deveria?
ou não.
Liberdade
escravidão
concreto
mármore
latão
cachaça na calçada
criança brincando no portão.


Arte de Oswaldo Guayasamín

A moça na chuva

O cinza é a cor do dia, triste melancolia, a moça sai à rua para mais uma rotina e aborrecida não tem como fugir das gotas da chuva fria. Tão estranho, ela pensa, como pode o paraíso se transpor em umbral? As verdades são misteriosas, como prever a intensidade da chuva? A moça vai, com passos molhados, corpo encolhido, rosto escondido. Por dentro um furacão, ninguém lhe nota, tão pouco importa, hoje a moça não é caridade, solidariedade e sim vaidade, egoísmo, ainda que ninguém lhe nota, ela não dá bola, é dona de si, aliás Si com maiúscula, hoje nem ela se suporta. A moça virou a esquina, pisou com gosto numa poça de lama, sorriu, se desfez das amarras, num latão de lixo jogou fora seus livros, outrora tão estimados, depois tirou a roupa peça por peça sem pressa, e nua rendeu-se ao poder da chuva. Caiu na lama, sentiu-se inteira, a lama não a deixava suja e sim mais pura, mexia com quem passava, convidava os que a viam para entrar na dança, os resmungos alheios diziam, louca, exibicionista, imoral, vadia. Não suportavam tamanha rebeldia, libertação e no fundo de cada um que a recriminava em palavras estava uma doída inveja de ser como ela, e esse ser como ela não é ser igual a ela, e sim ser livre, ter audácia, coragem de se despir, mas as invisíveis correntes prendiam a multidão que a observava, essa massa de gente não tinha força suficiente para se libertar, e ela com sua arrogância de criança foi para a chuva brincar e como que por milagre a moça conseguiu ver o que ninguém via, o colorido que se esconde no frio cinza.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ao nado

Em algum lugar que não sei precisamente revelar
estava a emoção, trancafiada de si mesma
tal era o medo de revelar-se
que aos poucos fora atrofiando-se...
a imensidão de possibilidades não fazia parte
renúncia inconciente fazia-se verdade
foram tempos difíceis
até a aceitação
até a cura...
agora ao fundo é acessível
sem medo, sem nóia
com a respiração tranquila
serenando a mente...
deixai transbordar as emoções
permita-se o mergulho
as águas lavam, renovam
deixai serenar as emoções
permita-se a levesa
das águas calmas...


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Rimas pra Carolina

Carol Lina!
como diz a menina
dos cachos negros
da pele macia
bruta ternura
és tão linda mulher e menina,
casa cachorro
marido e pão
agora feijão
também macarrão.
Respira minha linda
cuidar será sua sina?
de outras meninas?
é rude também essa menina
brava grita escandaliza
é mulher a Carolina.

Palavras alheias, à minha maneira

Hoje bebi a inspiração, lendo e sorvendo palavras alheias, reconheci nos outros aquilo que se esconde em mim...

Palavras que não minhas, penetraram por meus dedos. Os dedos tecem nesse instante outra estória, sob o julgo do outro que não me vê, no entanto deu-me um pouco de si, - se quer me conhece, tão longe está, pseudônimo de um anônimo que encontro em momentos de ócio solitário, desses de dias nublados ao qual me cansa. Sentei na varanda e pensava: "palavras por palavras não dizem nada"; "tento em palavras moldar o que me cerca"; "palavras em explicação, conclusão"; "sou viciada... palavras"...

Hoje vomitei frases desconectas em cima da ordenação das palavras, as letras emaranhadas no visco das entranhas revelam o recanto da desordem, a lama...

Entourage

arte de Guilherme Kramer - entourage

comunhão

medo anseio desejo
teu cheiro no meu corpo inteiro
lambusa a blusa que é sua
batom vermelho no espelho
arrepio aperto o beijo
minha boca enrosca na tua
língua suor divina
me engole e cospe
devolve
suor salgado teu corpo
eu como a carne viva
gemido sussuro as unhas
sexo mãos pelos e pêlos
molhado pimenta me esquenta
fogo tesão ereção
obsceno sagrado perverso
santo demônio em ação
gozo
profundo
comunhão.



arte de Nicoletta Tomas Caravia

domingo, 8 de maio de 2011

A cena dos enamorados

Perfumava-se enquanto ele falava da flor no seu cabelo, seu olhar hipnotizado a despia e sua flor se abria. O vento era leve, a saia roçava a pele deixando as coxas arrepiadas, eram um par pro seu par. De passo em passo com as mãos coladas ele na dela iam como quem vai sem pressa. Era noite, e do céu as estrelas contemplavam os amantes. Eram eles que se amavam, ela ia com passos mansos ele ia com o passo dela. Falavam, quando se calaram se olharam, suspiro, respiro, depois um giro, ela nos braços dele caiu, ele com sua boca a sustentou, sugou. O aroma noturno de dama-da-noite a deixava mais alegre e ele sensual, ela menina faceira parou para ver o espetáculo dos vagalumes, ele não via nada, só sentia o cheiro noturno e o toque macio que lhe cruzava a cintura, era a mão dela. Sentados na praça, conversa fora, veio um seresteiro que fez uma moda. Ele e ela, na mesma estrofe do poema, cantaram até em casa e despediram-se dessa cena.


sábado, 7 de maio de 2011

Coisas da mente e do coração

Desde o amanhecer até a mais escura madrugada não consigo parar de me questionar, qual a razão, emoção, sensação e intuição que faz com que os homens e mulheres não se percebam como seres interligados, feitos na mesma fôrma, com suas diferenças de persona mas com a mesma essência, essa que está em tudo, que tudo constrói e que por ignorância, ganância, ódio, ambição, traição e desunião também destrói. Onde está o amor, porque o acham tão banal os senhores do poder, a paz, a harmonia e a tolerância, porque as qualidades são utopia e os defeitos não? Qual razão, emoção, sensação e intuição que transformam em utopia a nossa redenção?

Anjo noturno

A melhor dança da noite tem disfarce de anjo
Confunde a pureza dos outros,
e vibra num sensual ritmo frenético.
As pupilas se dilatam para melhor absorver o outro
O anjo começa a virar humano, meio bicho meio santo
Balança o corpo como serpente,
hipnotiza a todos e esquece de si mesmo
Entra em transe e o sangue esquenta nas veias
a dança alucina, o anjo cai
Vira vítima? Não, a queda o faz ressurgir omnipotente
Um anjo caído seria ironia, nossa história já nos deu um
Agora os anjos são humanos que levantam e caem.

Mais de mim

Sou cúmplice da lua e me perco nas estrelas
Viajo no meu  mundo!
Dou lugar à outra que habita em meu ser.
Sofro por não lembrar da face que se esconde sob minha sombra.
Sei que sou infinita dentro de minha finitude.
A angústia de querer sempre mais dilacera minha alma...
Eu jogo com a vida e procuro a mão de Deus para me salvar (por vezes duvido dele)
Eu sei que eu me basto nesse mundo cão,
Mas um estranho sentimento de solidão deixa-me com a garganta amarga.
Penso no que fui, no que serei e vivo o que sou.
E o que sou?

sexta-feira, 6 de maio de 2011

De inícios em início

Encontro-me sempre
no início
não importando
os fins
os meios
os entremeios
inicio sempre
a cada a-cor-dar
não procuro respostas
prontas
busco a indagação
na História satisfaço
o questionamento
as perguntas
formam o que sou
e a cada resposta
uma nova pergunta nasce
assim o início
sempre retorna ao fim
e do fim sempre há o início
em mim.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

Palavras na busca ou busca nas palavras

Estou sofrendo de compulsão
obstinada por palavras
rimas e conexão
me desliguei
por um segundo
para não ser tragada
pela razão
encerro em meu
mundo letras sem
abreviação
buscando
transversalmente
ligar a  lógica
à imaginação.

Enigma

O ser "diferente" confunde.
Enigma de mil faces?
Facetas, piruetas!
Aquele riso nervoso...
Aquele estranho prazer...
Aquele tédio medonho...
Às vezes eu, às vezes você.
Poemas feitos ao vento!
De brumas singelas!
Para mim e para você.
Um pequeno constrangimento
Rigidez muscular
Tensão
Aflição
Um encontro na contradição
A mente é viva
Ela constrói
Também destrói.
Imaginação?
A minha?
A sua?
Um passo além
As asas começam a brotar
Isso mesmo! a brotar...
Eu sempre vou, mais eu volto
Infinitas são as idas...
Pobres "normais"
Centralização
Padrão
Submissão
Ofereço-lhes compaixão
Rendição.
Fragmentos de vidas
se sobrepõe
Despertar do inconsciente
Desfrutar a realidade dos sonhos
Sorvendo devaneios
Encarando a loucura
Sem medo da sombra
O que é medo?
Esqueço...
Entorpeço...
Uma psicoalegria, por assim
dizer me guia...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A poesia é um sonho em palavras

Quando desperta
escrevo para não
parar de sonhar.
Em cada verso
desvendo um pouco
do mistério
inventando
um pouco de mim.
Com rimas cafonas
enceno meus dramas
rio e choro
acordo sonhando
lembro...
... a poesia é um sonho em palavras
escrevo para não parar de sonhar.

Face molhada

As inquietações que
por hora haviam cessado
ressurgem num estrondo,
num rasgo vazio.

O silêncio que supunha
ter conquistado
aos gritos me fora tirado
há uma lágrima posta ao canto.

Face molhada, inquieta
angústia, renúncia?
A paz é alterada
ninguém faz nada.

Cômodo desespero
quieta saudade, sinto,
morna alegria, tédio
voltar à chama é preciso.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Falando com Ogum

Humildemente pedi o que era meu por direito
vetaram-me!
- À você deixo os deveres, não reivindiques nada, apenas aceite!
Jamais!

Pai Ogum inunda meu Ser de força e coragem, jamais permita que Eu
aceite o que me impõe com arbitrariedade.
Pai Ogum que nada eu tema e que a força necessária para viver brote do meu centro
e se expanda para além de mim.
Com amor, eu reinvidico a ti meu poder, ó Pai Ogum.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

dias comuns

Cama cadeira chaleira
café com torrada e manteiga
casaco sapato portão
rua asfalto violão
emprego salário patrão
dia escola e reunião
Fantástico Gugu e Faustão
ordina ordinária canção.















Arte de Leandro Lamas

domingo, 1 de maio de 2011

O objeto é fixo
estreito caminho
reto
paralelo
foram-se
as curvas
acabaram-se
as dúvidas.

Te procuro e não te acho
nem sei porque procuro
quando vejo pulo o muro.
Muro da ilusão
muro da razão
o muro do meu mundo
Perfeição
que pretensão!
O sabor do meu veneno
tem gosto de pecado
com ele eu te vicio
e também me mato.
A cor que eu sinto
é vermelha
e ela me revela
eu subo às estrelas e jamais
fico amarela.
Dourada eu posso ser
se o sol entrar na minha janela
mas quando o cinza me persegue
eu procuro a paz no branco da neve
que logo se desfaz...
O incolor surge
com furor expande-se
em coloridos piscodélicos
que minha mente verde agregou.
A lua cor de prata
banha minha alma
fui batizada na noite
púrpura, negra e brilhante
eu sou!

A chuva cai! é fina, intimida
o Campeche que era de sol
por fim ficou cinza
a noite vem,  sente-se a nostalgia...
Mas o canto que ecoa por dentro
quer ganhar as ruas
levar a alegria!
A chuva dá sua benção
para o canto ter sua passagem
saindo das bocas unidas
uma ode à ancestralidade
nos brindam com seus bois,
cocos e sambas
de voz em voz
geração em geração
abrindo as novas portas pra canção!

Uma pitada de flor trago para seu dia antes que anoiteça e o imprevisto de te querer me deixa só antes de mais nada só.