quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Acalma

Daquele silêncio gritava o sufoco
soco no oco!
Nem santos, nem demônios
ambos habitam em mim!
dá voz a puta, a mãe, a irmã, a menina
mulher, bruxa, vampira!
Despida, vestida
amante de amantes!
Fria ou quente
atrai, repulsa
nada é o que parece
se é
é!
se não
não!
Grita de silêncio por dentro
acalma na calma
a alma.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Ah...

Faltava...
era farta ao nada
esconde de dor o amor
foge, corre
o grito ainda sufocado
nem unhas, nem sangue
azul pulsante
vermelho de dentro, escorre, molha
agora solta, solta
nem olhos de alma
nem nada
ver ser
uma esquina da sua boca
aquela placa de contramão.

O último contraste
dias entre violões 
de sol em sol
colore, vai lá!
fagulhas
se separam no ar.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Do tempo II

Se eu confundir as horas com os dias
o que irá restar dos meses dos anos?
o último relógio estava quebrado
não marcava horas
não pensava tempo
era um objeto de si mesmo
parado no seu íntimo
curtindo seu ritmo
parado era e é seu estado de vida
objeto também tem vida
da natureza não é só a natureza
no concreto orgânico do discurso
aquele que corrige os movimentos
que infringe as regras
postas à prova
mas se eu não tiver calendário que me ancore
irei caminhar para ontem
num momento que amanhã se torne hoje
e assim será que encontro?
talvez o elo que desligue
minha agenda do seu compromisso
minhas noites tão claras
passadas com olhos abertos
até o primeiro grito do dia
sem um ponto para bater
sem um café para passar
mas quem sabe um cigarro apagar
vou aguar o asfalto
marcar de espinhos o caminho
porque de placas avessas
tão certeiras que não compreendo
qual o seu sentido.

Do tempo

Nas badaladas do relógio
meu cansaço se suporta
suporta a si cansado
agora esgotado
recobra a força
aquela que já fora um dia inteira
só que ao tempo cronometrado
me faço em pedaços
um tanto de dor
calor
amor
tem também outro tempo
interno enraizado
esse que me toca
guia sem linhas
nada de roteiros
pontos certos aonde chegar
só o ponto que há dentro
vibra no pulso
no ventre
sinto no sexo
latente.

Vermelhos intensos

Outros pontos de encontros
uma pulsação colorida
nada se consome por inteiro
nem no fogo
pois vira cinza
transforma sempre mais
desde fumaça em ar.

Canteiros de sonhos inteiros
matemática absoluta
dois com dois
três no meio
símbolos de ontem
viajam até amanhã
cada pedaço de céu
cada pedaço de mar.

Vermelhos intensos...

Areia movediça

Quantos cristais caídos nos foram dados de longe do ar? Talvez despidos dos silêncios encarcerados por tempos dentro de outros tempos, dis...