terça-feira, 14 de outubro de 2014

Evocações de dentro ou do lado de dentro

Algumas folhas caíram, deixando para trás as raízes e sumiram ao vento. Era tarde de inverno, nada no céu além do cinza. Colhia os dias a alegria esquecida pelo frio, que no sorver dos beijos que se fizeram raros tão perto estava o anoitecer. Anoitecer da alma, profunda e dilacerada dor. Talvez o resquício da letargia, agravada por uma dose de vodca e tapa na cara, na calada da madrugada. Nada mais será o mesmo e também nunca foi! Apesar de toda aparente repetição da roda da vida/morte, que ao meio da cena se desenlaça para dançar um solo. Testemunhas do novo sol, volta para casa e deixa o mar entrar, lavar as amargas cargas, deixa pra lá o que já não é mais de cá! Derrama do coração o azul e o vermelho do amor, por mais distante que pareça estar, nada seria tão surreal quanto o dia a dia nesta Terra. Devolve ao espírito a chave que conduz a vida! Ela volta a se perfumar de rosas, lançar de brilho olhares envolta em teu corpo amares, sabia que não era naquele rio que se perderia, nem tantas águas viciadas, com todas as almas das madrugadas, o lugar de amar pede por um altar. O universo inteiro é casa pra alma.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Não desconheço onde erro
apenas afastada estou de mim
longe talvez dos sonhos
ou
perto demais
que o medo paralisa
já perdi a decida da rua
a chamada da lua
aquela parte do teu corpo colada no meu
tanto querer perdido nas ilusões da vida
ontem soluçava em lágrimas
nada mais conecta o que outrora era
já era!
Por que canso tanto de querer saber
deixar para trás tudo que me persegue
tudo que eu persigo
encontramos-nos entre os cacos de vidros
cortados corações vazios
vazios de medo, angustia, dor
tá doendo tanto no meu peito
na minha alma que nada parece me acalmar
uma noite qualquer mesmo ao seu lado
sensação de falta de sentido que insiste
qual o sentido que me falta
para parar de fazer-me sofrer
de querer
querer
querer
já passou das cinco da manhã
continuo sem dormir
e você aqui.

quanta insatisfação cabe em meu ser?

quarta-feira, 2 de julho de 2014

de SOL!

Já não faço mais poesia
nem de noite ou dia
límbicas madrugadas
rítmicas anestesias
Já bastava o que não via
conhecia além do fim
bem no meio do desejo
tão grotesco o ser suspeito
Já passava outra esquina
outros postes tantas luzes
não se cantam pelas ruas
dobras em dores nuas
Já calava todas as rimas
todas as formas de palavras vivas
veia de letras em atropelo
sangue seco de verso doído
Já não posso trancar a dança
dos ventos dos corpos
soltura dos nós
sós deixo-os de sol.



domingo, 9 de março de 2014

Sintezia

Nenhum corpo
rasante, voante
assim
reviravoltado
deixa passar os rastros
espaços tempórios
causólidos
na inexistência sucúmbula
diante os tempos
idos, vindouros
este aqui, reto
radiante de fatos
ilustrados nessas
páginas diárias
de telas e teclas
touch me
radiantize-me
sintezia tão fina.

sábado, 1 de março de 2014

Apenas folhas

Alguns corpos passavam
eretos outros curvados
colunas de fardos
arrastando-se nos asfaltos
nas vidas costumeiras
distantes dos sonhos
longe das crianças
passos em marcha
nada dança
apenas as folhas
flores e 
ventos. 


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Voltas e andanças

Tinha um obstáculo diante de si
talvez tivesse deixado para trás
todas aquelas angústias de dias após dias
mas não era nada, nunca era tarde
pois insistentemente voava 
deixava pegadas aéreas por onde passava
uma leveza de ser 
que se refazia a cada noite
sob a luz da lua era o comprometimento devido
entre os seres que se amam e se deixam ir
ora riam, ora choravam
nada mais importava naquela madrugada
era somente o prazer que queriam
cada um a sua maneira
tão criativa e cheia de ardis
assim eram felizes ou fingiam ser
isso não saberemos mais
já é tarde para requerer verdades
faltavam algumas páginas 
para o livro dos sonhos
um horizonte oracular 
vinha mais e mais perto
assim pela janela 
entravam as fadas, as sílfides
proteção era necessária 
nada mais poderia escapar ao silêncio
discreto do coração
ao calor interno do sexo
nada mais seria como antes
tristeza rolava nos olhos feito lágrimas
alguma coisa tão nova nascia
eram flores no terraço
cimento aquecido de sol em sol
assim mesmo, refazia-se das dores 
asfálticas de cada nó na cabeça
a entrada de ar por dentro refresca 
se vai até o fundo do ventre
solta tudo que se prende
libera um grilhão de passado
e futuro.

Areia movediça

Quantos cristais caídos nos foram dados de longe do ar? Talvez despidos dos silêncios encarcerados por tempos dentro de outros tempos, dis...