terça-feira, 17 de dezembro de 2013

De todos os espaços
entre os esconderijos 
dos corpos
diante de cada reflexo
como se não houvesse 
amanhã, porém
nenhuma poeira 
deixa manchada de ontem
o que o agora clama
chama, incendeia. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Outras figuras

No entanto, depois de tanto falar
parou, emudeceu por alguns minutos
vigiava a si como um cão 
outrora revelara seus íntimos instintos
alguém observa ao longe seu passo calmo
seu olhar que penetra longe ao horizonte
aquele que chega, pega
diz com o olhar que veio para ficar
não pode mais esquecer
não era lembrança
era o ato do amor pleno no instante
aquele que ninguém sabe exatamente 
onde começou, quem lançou a mão 
o destino veio tomar o que lhe pertence. 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Antes do adeus

Uma outra mirada nos seus olhos
desta vez talvez o fim
e o início?
esteve tão forte em mim
por esses dias quase quentes
me entreguei aos poucos
calmamente pros teus sonhos
tão loucos, humanos
enfim, sem fim, tão divino
um rastro de poeira a enevoar
a clareza da água
o passado agarrado de mãos dadas ao presente
negá-lo? é tão denso que sufoca
saltar num abismo pro futuro
no fundo nem sei se é tão forte assim
me diga as verdades que ocultas antes do adeus.

 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Reflexo

Entre um devaneio e um ponto na realidade
refaço todos os meus erros
agora diferente, de trás pra frente
entre versos e recortes
cortes das vísceras vivas
de um artista decadente
aquele que não se reconhece
nem diante do espelho
do reflexo

Nas cinzas partidas no ar
virão de outros sons
outras formas vão dançando
nada que tinha razão
obedece nem mais um dia
outra noite vazia

calculando a demora das foices
dos registros, dos protocolos
dos currículos

Cada vez mais e mais
são lançados a revelia
um punhado de achismo
de sofismo nada niilismo
podemos desvendar na arte
a arte?

Quem tem a palavra exata
para agradar a ávida platéia
que entorpece de dúvida
entendimento descontentamento
crítica

uma rajada de nós mentais
intelectuais vorazes em destruir
o sonho do poeta

Mas calma volta lá
e escreve um decassílabo às avessas
sem rima, dança com a disritmia aguda do coração
com o veneno das ondas daquele movimento
faceiro de sexo vivo
ou será um enigma que envolve
o gole foi sorvido, na garganta fez-se a passagem
devolve minhas ranhuras

Acabava o verão e tudo que era brilhantemente ao sol
caiu no chão.

domingo, 27 de outubro de 2013

Olho no olho

Onde olho os fluxos
revoltam-se entre os passeios
de um barco ao porto incerto
tão certo que eras pacífico
assim como outros tantos oceanos
deixando o brilho da água
tão doce em seu respirar
profundo da tarde quadrante
os poucos retratos de fotografias
tiradas em preto e branco
com o relevo em cada lado
um bordado antigo
guardado numa gaveta qualquer
borboletas presas nas teias das aranhas
guardando os gemidos
os venenos
o açúcar da beleza
as tempestades que trazes
no peito, arrancam de nós o peito
as mãos, a garganta, o alívio
a respiração marcava cada
passo, cada polegada de oxigênio
nem sempre observa-se o por-do-sol
em quase nem um dia
a lua é diferente
é o que se faz ver
emociona, não ofusca tão lindo sol
vai e deixa o mar entrar
aqui nessa passagem, do olho no olho.

sábado, 19 de outubro de 2013

Deixa voar

Será possível sentir
sua alma em minha?
Nada mais é tão exato
como a uma semana atrás
talvez o caos, talvez a ordem
me tragam lembranças suas...

A paixão desafia
o que o olho não esconde
o coração fala em silêncio
decifra-me?
deixa-me?

Nada que o toque
revelado do instante
arrancando flores
impregnando de perfume o ar.

Deixa voar.


domingo, 13 de outubro de 2013

O sorriso ou o gozo

Talvez nunca
a exatidão te faça
uma visita
sem afagos
sem mimos
talvez um pouco de carinho
uma dose extra de nada
sentimentos inversos
insurretos
nem o cheiro da rosa
vermelha
fêmea
efêmera
trêmula nos braços
molhada
o olhar visto da pupila
manipulado entre testas
e rugas
um canto da boca
arqueia
tão longo é esse sorriso...

.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Palavreante


Toda aquela emolduração contida
retida numa reserva de falas
escondido entre o dia
ficava sem tempo
o que sobrava era quase nada
mas no quase proposital
vendaval mental
saía de si tanta letra
sílaba
palavra
frase
saiu de uma vez uma palestra
era de fato chata
o que não seria àquela altura
já era meio dia
o estômago chamando de fome
e uma retirada dos sentidos
veio por uma fresta
na qual entrava o sol na sala
ardia olhos mas fazia vivos
como é bom!
assim acabou

houveram outras questões
mas eram outras

não importa.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Um rasgo no rastro

Um bloco pendurado
na parede do retrato
o furo é o três por quatro. 

rastro. rasgo

te trago no engasgo
sacode esse traço
de um vício mal acabado.

rasgo teu rastro. 

Conforme

Não derrube café no chão
nem um gole dessa cachaça
espirra o pó do chão
já foi tarde ensolarada
enfia esse corpo no uniforme
contorce a regra de cada dia
é noite que dança na estrada
volta ao ponto de partida
dois passos comprados
um grupo organizado
assalto desarmado
tudo combinado.

domingo, 25 de agosto de 2013

Andam dizendo por aí

Dizem que  teve um eco lá nos portões do universo
revoltosos estelares 
anárquicas filhas das tempestades
exílios do lado de cá
pertinho daquela rua
que tu passas apressado
todo dia para bater o ponto
do dinheiro do final do mês

Dizem que teve uma festa no buraco dentro do infinito
a nudez da alma toda espalhada
os corpos nem mortos nem vivos
pois ainda não eram
não erram

Dizem que teve uma pausa no lugar nenhum
nem sexo, nem castigo
nada que satisfaça
atiça ou reaja
mas sabiam da origem 
era inércia e movia.

 
Refletia assim a lua
na poça de lama
lua lama
mas lua não ficava suja
nem lama virava lua!

Estrelas

Buscadores de ilusões
ao encontro dos sonhadores
virão assim dores ou amores

nada de tão correto
que o erro não de jeito
deixa prá lá o falso
amarro teu corpo em nós
cego ao avesso do ego

nossa morada no paraíso
ficou para trás
tanto já se falou de tudo
ou quase...

uma virada naquela esquina
olha!
que linda é ela
nadava contente no nada

da noite escura
pingada de brilhos
estrelas são infinitas.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Não lembra?

Algumas palavras pintadas de nada
após o último soneto romântico
dizem silêncios ruidosos
segredos que moram
há tempos nos corações
alguns desses vagueiam
por horas a fio
horas de eternidade
não sei como cabe tudo isso em um coração
como medir o eterno?
que eu me lembre não lembro de nada!

terça-feira, 23 de julho de 2013

Riscos pintados

Os riscos pintados lado a lado
couberam sementes nas folhas de papel
uma fecundação de letras
retratos traçados entre a tela e a tecla
da mente e o coração
o que sai da via
respiratória companhia
um filete da esfinge
ressoa a balança
aritmética dos nossos
exatos passos.

 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

uma passada na rua

O olho do outro lado
do homem
observando por dentro
o lento
absorvendo o frio
da rua noturna vazia
naquela esquina a mulher de azul
dançava para nada e ninguém
o olho do homem não era
capaz de captá-la
nem por segundo de tempo
outro olho de longe
viu bem de perto
o corte na orelha dela
quanto fragmento de veneno
consta nas velhas contas passadas
afogadas de pó em pó
qualquer regresso revela
a volta
o revirado do estudo
dos atos
dos passos
no franzir da testa
largou definitivamente
os cigarros.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Amores anônimos

Recorda-se daquele dia
em que flores caídas
deixavam o perfume
no caminho?

Não pensa que esqueci!
ainda ontem beijei o ar
só para te amar
leve assim, simples.

As sonoridades das vogais
deixadas ecoando no espaço
solto pelos espasmos
dos nossos encontros carnais...

Rolava os dedos nos cachos
cabelos, pelos e entre.
Um convite? talvez!
Uma surpresa? Sempre!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Amor é água!

Olha aquela pedra
que de tão dura 
não chora. 
Ame-a! 

Amor é água!

Todas as formas de amar

Ah! o que fazes de amor?
são fases do amor
a troca do toque
o riso na boca
que fazes tu ao amor?
dar num salto de largar
mil seres te esperam 
em mais de mil possibilidades
todas as formas de amar.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Intensas lutas dos dias
das noites corridas por fora
por dentro um vazio 
faltava pão para satisfazer. 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Nestes dias tão clichês
quanto dizer que amo você
intriga-me a dúvida
do tempo gasto
do teu lado
se agora é tão fácil
voltar para outros braços
tanto eu
quanto você
o tempo está se esgotando
aquele que foi prometido
numa manhã
talvez
fria demais.

sábado, 8 de junho de 2013

Planos de projeto feitos de ar

Meus dias são mais completos
se posso mudar
desfaço todos os projetos
planos são retos
paralelos
me contorço
em labirintos
do improviso
sinto o prazer da dúvida
e a angústia das certezas
contrario o contrário
exato dos teus passos
acho rasos
o que acho penso
não importa
se mudo
tudo ao redor dança
se não conseguir
dançar comigo
deixa a pista vazia
faço solo em minha companhia
uma reticência
perdida no projeto
me faz continuar
nessa exatidão que muda
transforma
troca as peças de lugar
volto sempre a criança
que no novo aprende a viver
sonhar sempre me faz renascer
sonhos não são projetos
é arte de fazer
acontecer
o que a alma pretende ser
nessa vivência
de constante
inconstância
que nada é tão certo
quanto nascer e morrer
e no meio desse processo
o meu é deixar viver
com portas abertas
janelas escancaradas
nada que prenda
pois borboleta que sou
pássaro que sou
vento que me liberta
transmuta em liberdade
o que amarra
num passado
feito de flores e algumas mágoas
já senti o deserto seco
depois úmido
chuvoso
nada tão constante
como constar que volta
ao mesmo lugar
dependendo dos giros
do planeta
não me deixo acorrentar
de nada que me queira presa
vim sem asas
mas posso voar.


Maria Santa

Dançava tão louca
na corda bamba
do destino
vestida de azul
toda refletida de brilho
ia embora e voltava
sempre a voar
cantarolando sílabas
inventadas no ar
conspirava com ele
junto do mundo
por conquistar
sentia por baixo
o frio dos dias
aquecia sozinha
o vazio de menina
horas passadas
em claro
resolvendo problemas
solucionando
o infinito
tão caótica
a vontade de viver
de emoções sem fim
com muito vermelho
intenso denso
sabia que um dia
acalmaria
maria
maria.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Whisky e cocaína

Aonde vai?
Tiraram a máscara
da cara
agora a hipocrisia
é escancarada!
Tá vendo o espelho?
reflexo do esgoto
do câncer nervoso
da merda cretina
quanta cocaína!
No país do "tudo pode"
estupra e assina
células no topo
do sucesso
em nome de Deus
vai criança
entra e degrada
a vida humana
mulher?
ah! me poupe
quando o esgoto
é "recalque"
uma hora explode
fede!
Whisky, bunda, cú, pau e buceta
pó estica
estica
refina
ui ela é gente fina
mas o moleque
de 14 anos
vai pra cadeia
quem sabe a pena de morte?
seria um deboche
se lá no EUA tem!
vamos voltar a queimar as bruxas?


terça-feira, 4 de junho de 2013

Bem menos bem mais

Bem menos teorias para o amor
bem mais ação para amar
bem menos dissecação da alma
bem mais alma e coração
bem menos razões
bem mais motivos
bem menos sonhos nublados
bem mais sonhos de sol
bem menos aperto por dentro
bem mais leveza de dentro
bem menos
bem mais! 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Silêncio

Um dia resolvi silenciar
deixar as palavras ecoarem por dentro
no silêncio da resposta
no silêncio da pergunta
certezas
ofensas
dúvidas
elogios
promessas
juras
o teu silêncio foi resposta
conjugado com o meu
no passado mora
a saudade que deixei
de um tempo
que silenciei
o som da solidão
compartilho comigo meu próprio coração.

domingo, 2 de junho de 2013

Cobra

Um dia eu sonhei ser cobra
o veneno aguçado na boca
pronta para morder
fazer sofrer
doer de tanta dor!

Ser mestre no mistério
apertar o coração
até sufocar
faltando assim o ar.

Ficar cara a cara com a terra
rastejante na vida
de tocaia
o bote certeiro
a verdade mortal

A cura no próprio veneno
da morte à vida.

sábado, 1 de junho de 2013

Tenho um mundo de poesias infinitas
colorindo de rima meus dias
fazendo sonetos dos meus sonhos
versos de cotidiano
um poema livre a cada esquina me amando!


coisas de amar

Me concentra no teu gostar?
e se eu deixar de te amar?
outro amor inventar!!!
criar
eu e você no mar!
amar
ar
a
deixa a saudade embalar
largar
perdoar
no teu peito me deitar
e a luz apagar.

Só que sim

Rodava o pião no chão
e o menino girava lentamente
a Terra nunca parou
o menino acelerou
o pião caiu
de tanto rodar
a Terra continua até hoje
girando
girando
girando
algumas cabeças também rodam
outras rolam por aí
mas a roda já foi inventada
e insistem que não
só que sim.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Me recordo dos teus olhos
ainda nos meus olhos
da dor de deixar-te
e partir
lembranças que já nem são
parece-me agora um furacão
o passado revirado
revoltado de paixão!

domingo, 26 de maio de 2013

Era uma vez uma menina que de tão ingênua nem sabia da maldade dos nossos dias. Para ela tudo era fantasia! Uma vez e outra alguns monstros a visitavam, a realidade invadia. Repetia alguns ciclos e não entendia o porque de o sol nascer todos dos dias. Resolveu assim sem mais pra quê dissolver a ilusão, pegou um pedaço de céu e pintou nele um botão. Toda vez que tinha medo era só apertar esse botão. Ele ligava dentro dela uma luz que alumiava a escuridão.
Agora o conto do menino que sempre fazia as mesmas coisas todos os dias, acordava e dormia. Ele descia depois subia, nada de novo acontecia. Resolveu subir para baixo e dormiu para acordar. Depois dessa rebeldia nada mais se repetia. No novo mundo dos impossíveis alegria ele sentia. Magia acontecia. Voava pela janela nas noites de lua cheia, uivava para ela, como era feliz e sabia.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

entre planos e sonhos objetivos e imprevistossigo o meu caminhoassim sempre, mas sempre, sempre que possível sorrindo sorrindosorrindo.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Me anima!!!

Olha lá que coisa mais linda
que passa e que rima
virando a esquina!

me anima
me anima
me anima!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


sábado, 18 de maio de 2013

diversos ões

Obliterações de corações
razões, vozes de orações
paixões, nervos de emoções
prisões, vícios de comunhões

liberta o verso dos caixões!

pega a caneta e rima
sorria e ria
alimente a fantasia

opa! lá fora cabe aqui dentro
mas tá tão apertado

corações de obliterações
orações, vozes de razões
emoções, nervos de paixões
comunhões, vícios de prisões.



Cautela

Uma certa medida de cautela
tomada num só gole
lá vai um vendaval passageiro
mas com tempo desfez todos os planos
começos, mais começos.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

o que leva-se da vida?
do instante talvez que vi meus olhos
refletidos nos seus
leve o eterno de ser eu em vocês.


somos no total da diferença
uma tremenda encrenca
que torce, aperta
libera...


muito som do vazio da luz


também uma ponta de silêncio do negro das trevas


uma fada veio e me contou
disse vai ser feliz
sem medir
sem pedir
vai assim


escancara a porta pro mundo!
arranca o concreto do peito


rega a flor de amor
rega a flor de amor
rega a flor de amor


mas se rosa for?

espinhe-se amor!

Vinhos e cigarros

Tem dias que pinto as tardes de azul
fico assim parada, bem de mansinho
sonhando acordada
alguns me lambuzei inteirinha de vermelho
de noites intensas
de lua e pó
até o sol nascer
tanto gira o mundo
quando a cabeça gira
um instante de dúvidas
tenta-me tentação
noutros braços
já encontrei o que perdi de mim
ouvi um eco que diz:
- agora é diferente

vinhos
cigarros.


quarta-feira, 1 de maio de 2013

A roseira

Uma outra aqui mesmo
na mesma
releia um livro
e terás outra história
o mesmo caminho
conquistou outras cores
cheiros, sabores, texturas
outras nervuras...
um momento qualquer
um drink, cigarros
talvez água na veia
água na teia
quebra o gelo
enquanto derrete
na superfície macia
do colo que esquenta
devoradores de corações
também cansam de fazer guerra
um leão
escorpião
dragão
serpente profunda do mar
vai voar
vou de ar
nascentes rompantes da terra
do sucesso a miséria
nada posto a prova que valha a pena
um sorriso bonito
o sorriso do abraço
afago do peito no peito
o coração falando baixinho
no fundo do outro coração
dizem que viram uma senhora plantar uma roseira.

sábado, 27 de abril de 2013

Uma condição para a poética
que ela toque na alma
vibrando na pele!
Mas os dias estão tão cheios de mesma coisa
mesmo os mais tempestivos
tão comuns seus ventos
seus ritmos!
Impregnado está tudo de tudo mais...

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Lua cheia em escorpião

Lua cheia da vida agora
venenosa lua de fel
arranca o escorpião da alma
brilha impávida sobre a existência
mostra que nem todas as luas são mel!


sexta-feira, 19 de abril de 2013

A poesia no caminho

As poesias mais lindas
das dores humanas
do corte na alma
que atravessando a carne
acalma...
uma figura de longe
aproxima-se com seu rosto
a sensação do mesmo
invade novamente
borboletas no estômago
saltam pela garganta
e saem em festa pelo ar
da boca na boca.
os estranhos destinos de um só
no vão das possibilidades
desafiam a matemática
careta do dia-a-dia.
sem lastros
sem redes
a queda
entrega
é livre
contraria a toda segurança.
é na calmaria
é na tempestade
no cinza do dia
no azul de cada dia.
Na noite conhece a outra face.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

O congresso é espelho!

Um ponto no escuro
teu olho dissecando a razão
puramente estúpida desses dias
homens e mulheres
hostilizando-se
um coletivo da demência
pulsa, pulsa
no mínimo do dia
retarda a partida
a ação que liberta
de toda essa miséria
humanamente materializada
descartada em prateleiras
codificada em ondas
energia, tecnologia
patologias sociais
a podridão escancarada
de nós mesmos
o esgoto estourou
a fossa entupiu
nada mais que o medo
aceitar o que fizemos
o que fizemos mesmo?
Quem vota aqui no Brasil?
Que orgulho é esse de ser brasileiro?
O congresso é espelho!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A flor

Do outro lado do rio
alguma coisa ficou para trás
o negativo gatilho da dor
arrancamos todas as pétalas 
mas o perfume ficou em nossas mãos
assim também os espinhos 
colorindo de sangue
manchando a inocência
despindo o vazio. 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Marcas

Marcas da alma
atravessam a face
expressão dos olhos
quando choram ou riem.
Não se esconde mais
por todos os lados
em altos e baixos
nada voltará.
Uma sucessão de partidas
e corações partidos
mas quando voltar
terei que esperar.
Em noites de sonhos
entrego o destino em tuas mãos
mas sou eu quem decido
ao final ainda é o meio.
Como se os olhos ao primeiro contato
lembravam-se daquele outro tempo
que já há tempos esquecemos
um tanto de mim ficou em ti.
Hoje vou fugir daqui
não vou voltar pra ti
mas é só hoje
porque amanhã estarei nos teus braços.



quinta-feira, 4 de abril de 2013

Beijos da vida

Outro dia depois de ontem
um presente!
De repente acordo
para voltar a sonhar
é tanto brilho no olho
que ouso mirar o futuro!
Ousar!
É isso!
Novamente como fato,
e a dor volta a ser alegria
descansa em si...
volta a receber os beijos da vida.

domingo, 31 de março de 2013

o pequeno do dia

Vou deixar os dias
assim como passam os anos
sem permitir a repulsa do que não vem
então caídos ao lado do outro
dos outros que nos pertencem
que pertencemos
como nós de um mesmo tecido
todo emaranhado
traças e poeira
restos de vidas
uma nuvem deixa lágrimas caírem
é chuva!
mas hoje faz sol
que bom que ninguém perturba meu sono
mesmo sozinha continuo até o fim da estrada
alguns foram pra não voltar
saudade vem fazer seu pouso
tristeza de alguns minutos
profundo pesar de instantes
volta e meia de alegria minha amiga
um passo na areia da praia
água de mar na alma banhar
que bom é vida!

sexta-feira, 22 de março de 2013

Outra Eu

Renuncio hoje toda a dor do meu peito
declarei amor e amando eu vou
na alma algumas marcas
de vidas, de outras
importa hoje Ser!
Sozinha no íntimo de mim mesma
escutar o meu próprio alento.
Os poetas me falaram do impossível
revelaram-me que está bem  aqui.
Tenho sono e insonia todos os dias.


terça-feira, 12 de março de 2013

Súbita

Vou te chamar de lado
larga o conta gotas
deixa sua boca pra beijar minha boca
livre venha aqui
nessa manhã
ou agora!
vou embora...

Vou te chamar de canto
olha os meus olhos
vamos brindar o brilho
tanto desconhecido
é um mistério
esse tal de amar
vem, vem cá!

Vou te chamar no sonho
ao acordar é vida!
parei com dramas
um copo d'água
uma flor
partidas, despedidas, chegadas.. súbita!


quinta-feira, 7 de março de 2013

Saudade de uma filha pelo seu pai

Não sei se me lembro ou sinto o luto
passa o tempo, que nem é tanto
você se foi para o eterno
a saudade bate tão forte
não há revolta capaz de te trazer de volta
então me acalmo e aceito...
Tudo por ora é vago
só o hoje me basta e importa
uma pontinha de futuro
me toma inteira
depois solta-me
ao passado
acordo é mais um dia
continuo...
Hoje consegui plantar de amor um sorriso
de tanta dor...

quarta-feira, 6 de março de 2013

O aperto

Alguma relevância entre o vício
e o descuido?
A fome das fronteiras 
das entranhas 
o nó no meio 
um toque leve
desata. 

A falta

Diante de espelhos
imagens de cortes e escolhas
tanto o tempo que passa
e a saudade que não será matada
dói no fundo
na alma
um rasgo profundamente construído
dia após dia
sangra e alimenta.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Longe

A água estava tão calma
parada no seu estado de adaptar-se
tão confortável era ela sobre as pedras
mas quando a pedra veio sobre ela
abriu-se as entranhas da terra
escorre, escorre...
Nem os ventos mais distantes
conseguiram deixar de sentir.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Um sopro de agora

O viu pela primeira vez e assim jurou amor. Foram tempos de ventos e tempestades, uma amena euforia retratada do dia-a-dia. Esqueceu-se da brisa, perdida em nuvens de sonhos, tecendo fantasias... Ancorar num porto, ou num peito? Entre os cafés e os cigarros, já se esquecera outra vez de amar. É tanto cotidiano que um dia ela resolveu regar de tédio, extravasando de nada seu sorriso. Guardou o romance ideal, não pereceu ao tempo, impossível teste. Com os lábios sem batom, pensara que o vermelho chegou ao fim, até que a rosa nasceu!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Atos no presente

Um dia corre no tempo
fazendo morada em outros mares
correndo serras e horizontes
abraça-me na tempestade!

Outros versos orquestrados
noutro ciclo que inicia
tanta vida por viver
vida de cada dia.

Se um ponto de infinito
torna o caos em factual
beleza transversa
ordem paz/ciência.

Presente um presente
tão óbvio talvez carente
derrama de sonhos
a ação do amor em atos.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Bem querer

Algumas rosas
senti no seu sorriso
ainda assim contém espinhos
nada que me faça esquecer-te
aceito tanto a dor
calor
amor
respira comigo a canção
sonhos de ventos
soprados aqui dentro
vem para perto
escutar o som do mar
...


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Dentro de mim

Ecoou uma canção de morte
liberdade veio te buscar
saudade no meu peito aperta
entrego meu coração
aceito a partida
cada pedaço de união
que me fez 
Ser..............
sonhos e tempestades
a dor que revela belezas
recebi de você um beijo
meu anjo amigo
o amor tão intenso
calor da alma 
te sinto aqui 
me guiando
ainda escuto sua frequência
longe do tempo
fora do espaço
dentro de mim
ainda vive
Pai. 

Areia movediça

Quantos cristais caídos nos foram dados de longe do ar? Talvez despidos dos silêncios encarcerados por tempos dentro de outros tempos, dis...