Quando menina
fazias tranças em meu cabelo
debaixo do pé de manga
contando-me sobre a vida
e escutando pacientemente
sobre meus sonhos
sempre ao meu lado
me mostrando a importância
de uma respiração tranquila
nunca duvidaste de mim
e eu nunca de ti
fez com que eu acreditasse em mim
e assim nasceu uma certeza
de que tudo que eu quero de coração
eu consigo
minha verdade é minha fé
aprendi a reconhece-la
a escutá-la e a seguir
me inspiraste pelo caminho
um pai
meu guia
meu anjo
te amo.
sábado, 11 de agosto de 2012
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Indivíduo
Notas de uma canção de dor:
saí a noite a sua procura
me visitaram as lágrimas
não sei como fazer
não sei medir razão
tão pouco emoção
procurava a mim
verdade dói
me escondo em cada beijo
ao me mostrar nua
são falhas de uma vida vazia
ou não, talvez crescimento
no segundo ato:
já na cama
pronta para os sonhos
fez roteiro de sua vida
e o que pensar se sair
de seu umbigo
e entrar nas injustiças do mundo
na miséria que assola nossa espécie
és indivíduo
também és coletivo
ora! Ser é algo que fere
ser eu é só o que posso ser
no terceiro ato:
agora adormecida
me diluo no negrume da noite
vou alcançar o impossível
este sim me alimenta
gosto por demais do impossível
lá tudo é possível!
não vou contar o que vejo e por onde vou
pois também me agrada o mistério
depois do outro mundo
acordo
é o fim.
mas começa...
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Deixa pra lá
Deixa pra lá o que não é de cá
se cá não toca, dentro não afeta
deixa pra lá coração
sambando de lado
rodopiando ao violão
acende meu cigarro
esquenta a minha mão
deixa pra lá meu povo
agora mostra os dentes
não cerrados
desfila meu mestre sala
enche de luz minha porta bandeira
salve a passarela da vida
deixa pra lá passista.
se cá não toca, dentro não afeta
deixa pra lá coração
sambando de lado
rodopiando ao violão
acende meu cigarro
esquenta a minha mão
deixa pra lá meu povo
agora mostra os dentes
não cerrados
desfila meu mestre sala
enche de luz minha porta bandeira
salve a passarela da vida
deixa pra lá passista.
Também humana por esses dias
Muitas misturas lá fora
não se irrite com meus sorrisos
sorria junto comigo!
Talvez chore, muitos choram escondido
e diante da luz do dia bravejam como leões famintos
sedentos pelo sangue alheio
deixem ela ir
dizem que precisa de paz
de espírito
anda oca por esses dias.
Eu escrevo apenas
não venha me julgar
o que vejo é o que é
mas às vezes eu confundo tudo
nada demais
também sou humana.
sábado, 4 de agosto de 2012
O cheiro das palavras
O cheiro das palavras
perfume da fala
tão sutil
e ao mesmo tempo
penetrante.
Cheiro forte, suave
doce, acre, azedo
fétido, inodoro
do avesso.
Avesso aos teus erros
aos teus acertos.
Oh dual, mortal
quem me dera
num punhado de sol
dourar minh'alma
soltando palavras unas
que curam a dor.
Quanto ao espetáculo
do início do dia
as pétalas abrem
lágrimas secas
voltam a molhar
o brilho no olho
reflete o raio do horizonte
tão longe...
infinito
que posso tocar.
perfume da fala
tão sutil
e ao mesmo tempo
penetrante.
Cheiro forte, suave
doce, acre, azedo
fétido, inodoro
do avesso.
Avesso aos teus erros
aos teus acertos.
Oh dual, mortal
quem me dera
num punhado de sol
dourar minh'alma
soltando palavras unas
que curam a dor.
Quanto ao espetáculo
do início do dia
as pétalas abrem
lágrimas secas
voltam a molhar
o brilho no olho
reflete o raio do horizonte
tão longe...
infinito
que posso tocar.
O perfume da rosa
Aquele cabelo ao vento
destoa com o cinza da cidade
assim como a flor do asfalto
mas nasce insistente a cada dia
a cada pétala de vida
um sorriso nu
um colo que protege
o teu beijo no vazio
alma e arame
na contramão do tempo
do vento que encontra o vestido
labirinto pro meu instinto
em que teu grito vibro
vem lua desnuda eu sua
tão estrela da vida sua
o raio cortou
desde o céu até aqui
uma canção assim tocou
tanto sol
tanto calor
volta pra casa margarida
vestida de rosa
tira teu espinho da espinha
da nuca tira o aço de cada dia.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
A mulher do espelho
A mulher em frente ao espelho, contemplava a si mesma como sendo a última e única criatura terrestre. O olhar olhava seus olhos, fixo, duro, cortante. O olhar era seu amante. Pintou de vermelho os lábios, queria imprimir sangue em sua boca, no qual o batom se fez passar por navalha. Balbuciou qualquer som monossilábico fazendo o sangue percorrer, entumecido na boca vermelha. Era boca e olhos, inteira era ela nessa dicotomia separada pelo nariz. Não se pode dizer se era bela, quão subjetiva é a beleza, mas afirmo que era plácida sua vênus mais íntima. O olho desceu ao encontro do ventre, e mais abaixo fitou o sexo que há muito não era amado. Sem pudor nem dor, tocou-se como uma pianista, entregue ao som de si mesma. Talvez o tempo passou por horas ou apenas num segundo, no qual durou até a eternidade mais efêmera de prazer. Alcançou os pés não com mãos, mas com o olhar, agora cravado no chão, ela se fez terra, do ventre até os pés sentiu as raízes penetrarem o profundo solo que não vemos. Gargalhou com seu sangue escancarado, face rubra, mãos úmidas. Precisava manter o controle, acendeu um cigarro, tragada após tragada, voltou a ser amarga, dona de si. O sangue coagulou, o olho vidrou, seu sexo não mais molhou as raízes de seus pés. De novo era ela a única criatura terrestre dentre as milhares que também são e não. Limpou de água o sangue, boca murcha. De água chorou um olho, apenas. Estava virando madeira porosa, dura e oca. Oh, o ar balançou seu cabelo, de novo viva, pôs-se a dançar. Entre um balançar e um sacudir ela virou-se de costas ao espelho e percebeu um novo mundo surgir, de solavanco foi tirada do seu centro, seu precioso egocentro. Queimou por dentro, derreteu de fogo, quebrou o espelho e nunca mais foi vista.
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